Human nature

Por Mayara Castro

Falar do ritmo da cidade de São Paulo e costurar o meio ambiente em suas entranhas é algo relativamente comum nos dias de hoje, embora exija muita atenção, responsabilidade e cuidado, principalmente quando se relaciona consumo – uma das práticas mais utilizadas pelos paulistanos não somente por objetos palpáveis, mas também por pessoas, tempo, e atenção.

Obter um espaço ecologicamente sustentável (como ecovilas, por exemplo) no ambiente em que vivemos, é tão difícil quanto mudar todos os padrões da sociedade urbana. Digo isso tanto em relação à sociedade paulistana, imbuída de cidadãos frenéticos, sem tempo livre, concorrendo pelo mesmo espaço, quanto em relação a nós mesmos, como indivíduos universais, nas nossas particularidades permeadas de princípios adquiridos pelos nossos antepassados, e até mesmo nas relações que costruímos ao longo da vida, com quem quer que seja, duradouras ou não.

Portanto, falar em sustentabilidade é um tanto quanto perigoso, porque não somente o ambiente externo é modificado, muito pelo contrário. Reciclagem, reutilização de objetos, redução do lixo, energia, água são conceitos extremamente importantes, mas é só o começo. Lidar com esse paradigma não é tão fácil, uma vez que por motivos já citados a cima, somos obrigados  a enfrentá-los, simplesmente pelo fato de que vivemos em um sistema pelo qual temos que nos manter financeiramente estáveis, então surge a questão : ” Mal temos tempo de correr atrás de nossos problemas, ainda temos que cuidar dos problemas do planeta? ” Provavelmente isso dificultará o próximo passo.

Interiorizar-se e tomar conhecimento nossos conceitos e buscas, e principalmente de nosso comportamento com nós mesmos é uma das aquisições fundamentais para a busca da sustentabilidade. Será que nos enxergamos como realmente somos? Será que merecemos tudo que almejamos conquistar? O que nos conceitua como seres humanos? Será que ‘algumas vezes’ somos egoístas, frágeis, persistentes, agressivos, prepotentes e mimados? Claro que sim. E se fosse diferente talvez não existisse graça em viver, pois nossos objetivos, ou melhor, aquele hormônio que nos proporciona prazer chamado endorfina, não trabalharia com tanta eficiência. Ou será que sim? Existe a possiblidade também de estarmos tão acostumados com esse ritmo, que não nos damos a chance de tentar. Quem se arrisca? (…)

Feito.

A busca pelo auto conhecimento é incessante e indispensável. E não tem fim; ou seja, é um processo constante. Visto isso, o tratamento com nós mesmos se modifica, e consequentemente, o que fornecemos às pessoas, também; simplesmente porque torna-se consciente – Não quero dizer que você terá de aguentar rancores, magoas e grosserias, mas pelo menos, começará entender que esse processo é natural, e proporciona, um pouquinho que seja, de tolerância, respeito e entendimento. A partir do momento que essa ‘intimidade’ é alcançada, as trocas fluem melhor – posso relacionar o melhor ao natural?!

Bom, viver sustentavelmente é de fato viver como uma família. Engraçado que um parece ser mais difícil do que o outro. Mas ao contrário do que a maioria pensa, é muito mais fácil nos familiarizarmos, do que vivermos na sustentabilidade, embora uma ramifique na outra. Se visualizarmos nosso comportamento individual na sociedade, veremos que é difícil. Tentar atribir um pensamento ‘orgânico’ em relação a isso, é praticamente impossível se não houver esforço.

Para terminar, gostaria de ressaltar que não culpo o sistema. Precisamos de regras, estímulos, vivências. Precisamos conviver em grupo para lidar com os desafios, saber pelo que lutamos, e principalmente, quem somos. A dialética nos mostra que não vivemos sem o meio, assim como o meio não vive sem nós. Em outras palavras, não vivemos sem a natureza. A natureza não teria a quem fornecer o sol, a chuva, as flores e os frutos se os animais não existíssem.

Poderia ser diferente, mas não é. Você vai se adaptar?

2 Comentários

Arquivado em Meio Ambiente

2 respostas para Human nature

  1. saladafashion

    Não vou me adaptar e não estou nem aí (hahaha você sabe!) Mas o post é bom, estou adorando ler vocês ;)
    Beijos, Ce.

  2. Pingback: Human Nature – Não Tem Bula Meu Remédio « dois olhos negros

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